Por Rodrigo Bodra,Vinícius Verzoni, Julio Manzoli
Clique aqui para ouvir a interpretação de "I Feel Good"
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“So now ladies and gentlemen it is star time, are you ready for star time? Thank you and thank you very kindly. It is indeed a great pleasure to present to you at this particular time, national and international[ly] known as the hardest working man in show business, the man that sings "I'll Go Crazy" … "Try Me" … "You've Got the Power" … "Think" … "If You Want Me" … "I Don't Mind" … "Bewildered" …the million dollar seller, "Lost Someone" … the very latest release, "Night Train" … let's everybody "Shout and Shimmy" … Mr. Dynamite, the amazing Mr. Please Please himself, the star of the show, James Brown and The Famous Flames!!”
Antes dos shows, seu mestre de cerimônia lhe dava essa boa introdução, onde citava as alcunhas de Brown e suas principais canções.
Seu repertório incluía suas principais canções, recentes e algumas covers. Seus shows eram famosos pela intensidade e duração. O grande objetivo era “dar as pessoas mais do que elas vieram buscar”, “fazê-las cansar, porque é para isso que elas vieram”.
Brown dançava intensamente enquanto cantava. O passo mais famoso “Mashed Potato”. Os músicos e cantores do The Famous Flames apresentavam danças coreografadas e, nas últimas apresentações, a turnê incluía dançarinos.
Além das danças, o visual de Brown era bem diferente, com roupas extravagantes e cabelos perfeitamente cortados.
Uma das grandes marcas de Brown era que, durante a canção “Please, Please, Please”, Brown ajoelhava-se, enquanto o MC jogava uma capa sobre seus ombros e o escoltava para fora do palco. A banda continuava tocando. Depois ele tirava a capa e entrava novamente no palco para o encerramento.
“Brown exigia extrema disciplina e perfeição entre os músicos e dançarinos. Eles tinham que usar um uniforme para ensaiar e outro para os shows. Tinham que ser pontuais, tinha que ter seu uniforme, suas coisas tinham que estar intactas. Tinha que ter sua gravata borboleta, não podia aparecer sem ela. Os sapatos deveriam estar engraxados. Você tinha que ter suas coisas. Isso que Brown esperava”, disse Maceo Parker. Havia outras regras em relação à banda, se elas fossem quebradas poderia pagar até multa.
Outra marca de Brown era fazer um passo que ficava de costas para a platéia e apontava para algum músico que tinha errado durante a música, enquanto o público pensava que o passo fazia parte do show. Mas afinal, quem foi James Brown? Como tudo começou?
Algumas pedras nos abrem feridas. Outras abrem saídas.
Algumas pedras nos abrem feridas. Outras abrem saídas.
Há uma dúvida em relação a sua data de nascimento, pois alguns afirmam que ele nasceu em 1928, na cidade de Barnwell, Carolina do Sul e seu pai só o tenha registrado em 1933. Seu pai, Joseph James Gardner ,e sua mãe ,Susie Behlings, separaram-se quando ele tinha dois anos.
Sua família vivia na extrema pobreza. Brown,segregado por sua cor e tendo que adquirir independência muito cedo, aos 6 anos mudou-se para Augusta, (Georgia), para morar com sua tia, em uma casa de prostituição. Desde criança aprendeu a tocar guitarra, gaita, bateria, baixo e teclado.
Como se vê, a música, desde cedo, apareceu em sua vida, através de cantos gospel das igrejas, do rádio e de um pequeno órgão oferecido por seu pai.
Brown ganhava dinheiro engraxando sapatos, vendendo e trocando selos, lavando carros e louças, cantando em shows de talentos e também trabalhou em campos de algodão, além de recolher restos de carvão que caíam dos trens. Recolhia também restos de comida em cestos de lixo. James estudou em uma das poucas escolas de negros de sua época.
Aos 16 anos, foi preso pela primeira vez por assalto à mão armada e enviado para um centro de detenção juvenil em Toccoa, em 1949. Enquanto estava na escola reformatória, conheceu Bobby Byrd, que viu Brown apresentar-se na prisão. A família de Byrd ajudou em sua soltura antecipada, pagando fiança após cumprir três anos de sua pena. As autoridades concordaram em soltá-lo com a condição de que ele conseguisse um emprego e não retornasse a Augusta ou Richmond Country.
Após tentar o boxe como profissão e também ser arremessador em um time semi-profissional de beisebol (uma carreira interrompida por uma lesão na perna), James focou toda sua energia na música.
Em 1953, Brown participou do grupo Starlighters. Sua entrada influenciou na mudança de nome, de Starlighters para The Famous Flames e no estilo musical, do gospel para o blues. No mesmo ano, Brown casou-se pela 1ª vez com Velma Warren, no dia 19 de Junho de 1953.
Em 1956, Brown fez um contrato com a Federal Records. Seu primeiro single foi Please Please Please, um grande sucesso na Geórgia e estados vizinhos, vendendo um milhão de cópias.
Após o sucesso de Live at the Apollo, Brown lançou uma sequência de singles que, junto com o trabalho de Allen Toussaint, em Nova Orleans , definiram a música funk.
Com o fracasso da King Records e com a finalidade de melhorar suas vendas diante o consumidor negro, James e Byrd fundaram uma companhia de produção, Fair Deal, para promover seus discos diante o público “branco”.
Em 1966, o single Papa’s Got Brand New Bag ganhou o Grammy na categoria Melhor Gravação de Rhythm & Blues. Brown continuou ganhando fama em aparições em filmes e o Famous Flames, subindo no palco com os The Rolling Stones.
Em novembro de 1967, Brown comprou a estação de rádio WGYW, em Knoxville, por $75.000, de acordo com a revista Record World. As letras que identificavam a rádio foram mudadas para WJBE, refletindo suas iniciais. O slogan da estação era “WBJE 1430 Raw Soul”.
Durante o final dos anos 60 e o começo dos anos 70, James Brown foi reconhecido por seu trabalho social. Em 1966, ele lançou o single "Don't Be a Drop-Out" como uma lição para estudantes jovens que tinham a intenção de desistir dos estudos. Mais tarde fez discursos para dezenas de crianças lembrando a importância da educação na escola.
Em 1967, lançou um single patriótico, America is My Home, que era um rap sobre como ele via as pessoas, particularmente a comunidade afro-americana, que estava negligenciando o país que poderia dar-lhes oportunidades.Explicou como em um momento ele
O Presidente Johnson, então, solicitou a Brown visitar Washington, D.C. e a cumprimentar moradores do centro da cidade, apresentando-se em um concerto beneficente e expressando a ideia de que a violência "não era o caminho a seguir".
Muitos da comunidade negra sentiam que Brown se comunicava com eles mais do que qualquer outro líder do país, um sentimento que foi fortalecido com o lançamento do single, Say It Loud - I'm Black and I'm Proud.
Brown continuou a se apresentar em vários concertos beneficentes pelos direitos civis, incluindo a organização PUSH de Jesse Jackson e o Partido dos Panteras Negras. Brown também continuou a lançar singles com profundo conteúdo social: I Don't Want Nobody To Give Me Nothing (Open Up the Door, I'll Get It Myself) (1969), Get Up, Get Into It, Get Involved (1971), Talking Loud and Saying Nothing (1972), King Heroin (1974), Funky President (People It's Bad) (1974) e Reality (1975).
Em 1970, a maioria dos membros da banda de Brown deixou a banda por causa do ego do artista, que crescia com a fama, e foram em busca de outras oportunidades. Assim, a banda The Famous Flames teve fim e apenas Byrd continuou com Brown. No mesmo ano casou-se com sua segunda esposa Deidre "Deedee" Jenkins, no dia 22 de outubro.
James e Byrd contrataram uma nova banda com futuros astros do funk. A banda foi chamada de “The JB’s”. Embora tenha passado por várias mudanças, foi a banda mais conhecida de Brown.

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