Por Otavio Ianelli, João Pedro Coppa e Daniel Antonio
Clique aqui e assista à artista interpretando a pesonagem Capitu, de Machado de Assis.
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Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu no dia 16 de outubro de 1929, no subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro de Cascadura. Era descendente de portugueses e italianos, filha de um operário e de uma dona de casa.
Arlete freqüentava colégios públicos e o sítio de seus avós, em Jacarepaguá. Quando tinha doze anos, concluiu o primário e a fim de dedicar-se ao trabalho, matriculou-se no Curso de Secretaria Berlitz, onde teve início o seu contato com diversas línguas como inglês, espanhol, francês, além de noções de estenografia e datilografia.
Ela também fez o curso de Madureza, espécie de supletivo e, à noite, concluiu o ginásio em dois anos. Aos quinze anos, inscreveu-se num curso de locutora na rádio MEC. A rádio localizava-se ao lado da Faculdade de Direito UFRJ, onde havia um grupo de teatro amador pelo qual Arlete ficou interessada e o qual começou a freqüentar. Fernanda integraria o grupo de teatro ao participar da peça Nuestra Natascha.Nascia, então, seu desejo de se aventurar nessa profissão o que, a princípio, não foi fácil.
Seu primeiro papel como atriz de rádio foi como Manuela, na novela Sinhá Moça Chorou. Após esse grande acontecimento em sua vida, Arlete iniciou sua carreira como locutora da Rádio Tupi. Na verdade, o nome Fernanda Montenegro estreou na rádio quando fazia traduções e adaptações de peças. Ela realizou esse trabalho com menos de vinte anos.
Mesmo como atriz, passou a lecionar português para estrangeiros para complementar sua renda. Fernanda casou-se com o ator Fernando Torres em 1952.
Foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi em 1951. Entre os anos de 1951 e 1953, atuou em cerca de 80 teleteatros na emissora, dirigidos por Jack Campos, Chianca de Garcia e Olavo Barros.
Ganhou o prêmio da Associação Brasileira dos Críticos Teatrais (atriz revelação) em 1952. Ainda na década de 50 trabalhou na Companhia Maria Della Costa e no Teatro Brasileiro de Comédia.
Atuou na Rede Tupi AM em mais de 160 peças apresentadas entre 1956 a 1965.
Em 1959, formou sua própria campainha teatral, a Companhia dos Sete, cujos integrantes eram: Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petrocelli, Alfredo Souto de Almeida e Fernando Torres,seu marido.
Fernanda recebeu muitos prêmios durante a sua carreira de atriz como, por exemplo, em: A moratória (1955) de Jorge Andrade; Nossa vida com papai (1956), O mambembe (1959) com direção de Gianni Ratto, Mary Mary (1963), dirigido por Adolfo Celi.
No ano de 1963, contratada pela TV Rio, atuou em novelas como: Pouco amor não é amor e A morta sem espelho, feitas por Nelson Rodrigues.
Em 1965, já na Rede Globo, Fernanda participou de um programa ( 4 no teatro)em que apresentou uma série de teleteatros com direção de Sergio Britto.
No ano de 1966, na Rede Tupi, foi a personagem Amália na novela Calunia, de Talma de Oliveira. Após um ano, começou a trabalhar em uma nova rede de TV Excelsior atuando na novela de Raimundo Lopes, pois tiveram grande sucesso atingindo 596 capítulos.
Ainda na TV Excelsior (em 1968) atuou na novela A muralha que teve uma superprodução em sua época. Também atuou em Sangue do meu sangue, escrita por Vicente Sesso, dirigida por Sérgio Britto.
Fernanda deixou a TV Excelsior, em 1970 e ficou cerca de nove anos afastada da televisão.
Ao voltar para a TV Globo, ela estreou em novelas (1981), em Baila Comigo , de Manuel Carlos. Sua personagem, Silva Toledo Fernandes, foi escrita especialmente para a atriz, dirigida por Roberto Talma e Paulo Ubiratan. No mesmo ano, foi conhecida como a milionária Chica Newman de Brilhante, novela de Gilberto Braga.
No ano de 1983, Fernanda protagonizou cenas muito engraçadas ao lado de Paulo Austran, como os primos de Charlô e Otavio em Guerra dos Sexos, novela escrita por Silvio Abreu, Jorge Fernandes e Guel Arraes. Nela houve diversos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, entre eles o de melhor atriz para Fernanda Montenegro.
Em 1985 foi convidada pelo então presidente José Sarney para ocupar o cargo de ministério da cultura, mas ela recusou. O seu mundo era a arte e não a política.
Em 1986 a atriz participou de Cambalacho, outra comédia de Silvia Abreu, dirigida por Jorge Fernandes.
Depois de quatro anos Fernanda fez a participação especial no papel de Salomé, em Rainha de Sucata, novela de Silvia Abreu.
Ainda em 1990 atuou como avó Manuela na minissérie Riacho doce. Após um ano na novela o Dono do mundo de Gilberto Braga, Fernanda interpretou Olga Portela, persongaem que ganhou muita simpatia do público. Dois anos depois, fez a primeira fase de a novela Renascer ,de Benedito Ruy Barbosa.
Em 1994, como Quitéria Campolargo, a atriz integrou o elenco estrelar de Incidente em Antares, que reuniu nomes como Marilha Pêra, Regina Duarte, Gianffancesco Guarnieri, Nicette Bruno, Flávio Migliaccio, Betty Faria e Diogo Viela.
Em 1999, por sua atuação no filme central do Brasil, de Walter Salles, foi a primeira artista Brasileira a ser indicada ao Oscar de melhor artista. O filme fez tanto sucesso que recebeu um Urso de Prata do festival de Berlim. Ainda em 1999, Fernanda participou em uma minissérie ( O Auto da Compadecida) que foi transformada em um filme no ano seguinte.
Já em 2002 foi atriz da primeira fase da novela Esperança, de Benedito Ruy Barbosa.
Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival Tribeca, em Nova Iorque. Em 2005, foi premiada pela minissérie Hoje é dia de Maria. Logo após um ano (2006) brilhou na novela Belíssima como vilã, quando atuou ao lado de Cauã Reymond.
Entre os filmes em que atuou no cinema estão A Falecida (1964) e Eles Não Usam Black-Tie (1980), ambos de Leon Hirszman. E, mais recentemente, Olga, de Jayme Monjardim, onde interpretou Leocádia Prestes, mãe do líder comunista Luís Carlos Prestes; Redentor (2004), dirigido por seu filho, Cláudio Torres; Casa de Areia (2005), filme dirigido pelo genro Andrucha Waddington, marido de sua filha, a atriz Fernanda Torres; e Love in the Time of Cholera (br: O Amor nos Tempos do Cólera), de Mike Newell, lançado em 2007, onde fez a personagem Tránsito Ariza, mãe do personagem do ator espanhol Javier Bardem. Atualmente, vive a protagonista Bete em Passione, de Sílvio de Abreu.
Teatro
Em mais de cinquenta anos de carreira, participou de dezenas de espetáculos teatrais, interpretando de tudo: da clássica tragédia grega à comédia de boulevard, do musical brasileiro a espetáculos de vanguarda. Sempre ao lado de grandes nomes, do elenco à direção. A seguir, alguns de seus grandes sucessos:
- 1954 - O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh - direção de Gianni Ratto
- 1955 - Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau - direção de Gianni Ratto
- 1955 - A Moratória, de Jorge de Andrade - direção de Gianni Ratto
- 1956 - Eurídice, de Jean Anouilh - direção de Gianni Ratto
- 1958 - Vestir os Nus, de Luigi Pirandello - direção de Alberto d'Aversa
- 1959 - O Mambembe, de Arthur Azevedo e José Piza. direção de Gianni Ratto
- 1960 - A Profissão da Sra. Warren, de Bernard Shaw - direção de Gianni Ratto
- 1960 - Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau - direção de Gianni Ratto
- 1961 - O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues - direção de Fernando Torres
- 1963 - Mary, Mary, de Jean Kerr - direção de Adolfo Celi
- 1966 - O Homem do Princípio ao Fim, de Millôr Fernandes - direção de Fernando Torres
- 1967 - A Volta ao Lar, de Harold Pinter - direção de Fernando Torres
- 1970 - Oh! Que Belos Dias, de Samuel Beckett - direção de Ivan de Albuquerque
- 1971 - Computa, Computador, Computa, de Millôr Fernandes - direção de Carlos Kroeber
- 1972 - Seria Cômico... Se Não Fosse Trágico, de Friedrich Dürrenmatt - direção de Celso Nunes
- 1976 - A Mais Sólida Mansão
- 1977 - É..., de Millôr Fernandes - direção de Paulo José
- 1982 - As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, de Rainer Werner Fassbinder - direção de Celso Nunes
- 1986 - Fedra, de Racine - direção de Augusto Boal
- 1987 - Dona Doida, a partir de escritos da poeta mineira Adélia Prado - direção de Naum Alves de Souza
- 1995/96 - Dias Felizes, de Samuel Beckett - direção de Jacqueline Laurence
- 1998 - Da Gaivota, a partir da peça A Gaivota, de Anton Tchekhov - direção de Daniela Thomas
- 2010 - Viver Sem Tempos Mortos, cuja participação lhe rendeu o prêmio de melhor atriz na 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo

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