“O FATO DE A BIOGRAFIA TRATAR DE UMA VIDA REAL TORNA-A AINDA MAIS ASSEGURADORA.

ELA É HUMANA PORQUE O PROCESSO DE BIOGRAFAR É UM ATO ILUMINADOR E MUITAS VEZES ESPIRITUAL, EM QUE UM SER HUMANO FAZ RESSUSCITAR O OUTRO DA POEIRA DO PASSADO".

(Oates, Biography as history)




domingo, 5 de dezembro de 2010

Aproximem-se, saboreiem, usufruam!

Que todos sejam bem-vindos
às nossas histórias de vida!

Os alunos dos 8º anos dividem com vocês
as peripécias de suas personagens reais
e as suas aventuras vividas no mundo da escrita.

Cada vida é um tesouro a ser partilhado

 com todos os que aqui nos visitarem!
Rolou muita pesquisa, muito sofrimento
mas, também, muita diversão nesse percurso de trabalho.
Nada se consegue sem suor, não é verdade?

Esses trechos são apenas "aperitivos" ,
uma vez que o resultado do trabalho foi mais completo,
abrangendo a totalidade da vida de cada personagem.
Deixem recados!
Vamos adorar ler/ouvir vocês!

Nosso abraço!

 8º ano B da Escola Carandá - 2010

Elis Regina, pimentinha de corpo e alma

Por Giovanna Guimarães, Letícia Amaral, Luiza Macedo, Matheus Morato



Clique aqui para ouvir a interpretação de "O Bêbado e o Equilibrista"



         As cinzas de um falso brihante

Sempre vou viver como camicase. É isso que me faz ficar de pé”.

Na manhã de 19 de janeiro de 1982, o brasileiro receberia a notícia de que seu maior ídolo musical partira, no auge de seus 36 anos.
                Em seu apartamento nos Jardins, Elis Regina de Carvalho Costa foi encontrada morta após uma parada cardíaca. O corpo da cantora foi levado ao Teatro Bandeirantes, onde havia realizado seu show de maior sucesso, Falso Brilhante. Lá, milhares de fãs faziam fila na porta do teatro para ver a cantora pela última vez  e prestar-lhe uma homenagem ao som da música Está chegando a hora.
              Os últimos momentos da vida de Elis Regina foram passados com seus amigos músicos e seu namorado advogado Samuel Mac Dowell, num jantar seguido de uma briga, quando se despediram em clima de rancor.
                Com a briga, Elis entrou em depressão e bebeu muito durante toda a noite, sem dormir. Pela manhã, atendeu a um telefonema de seu namorado e começaram a brigar outra vez. Durante a conversa, Elis teria ingerido grande quantidade de cocaína e Campari, até o momento em que seu organismo não aguentou mais.
Percebendo que o telefone ficara mudo, Samuel notou que algo de grave havia acontecido, foi até o apartamento da cantora e derrubou a porta de seu quarto em grande desespero, encontrando-a caída com o telefone fora do gancho.
                A família de Elis, querendo preservar a imagem da cantora, negava o laudo de sua morte, que afirmava a ingestão de drogas.
                No dia seguinte, milhares de pessoas percorreram as ruas conduzindo o corpo de Elis Regina até o Cemitério do Morumbi, onde foi enterrada ao som de Canção da América.

        Nasce uma estrela
“A gente tem de fazer das tripas sentimento”.

No dia 17 de março de 1945 ,nasceu no Bairro dos Navegantes, em Porto Alegre, pobre, estrábica e sob o signo de peixes, Elis Regina de Carvalho Costa.
                Ela foi a primeira filha de Romeu Costa e Ercy Carvalho, senhora de prendas domésticas. Aos quatro anos, seu irmão Rogério nasceu , tendo, como apelido, Zéio.
                Aos 12 anos de idade, sua mãe e sua avó queriam que Elis fosse à Rádio Farroupilha mostrar seu grande talento: cantar. Levaram-na a um programa para crianças, o Clube do Guri. Em meio a muito nervosismo, Elis teve uma hemorragia nasal, seguida de diarréia. Era tímida e tudo era muito novo.
                Elis passou os próximos dois anos como atração principal doprograma, quando recebeu seu primeiro convite para se profissionalizar. Tinha 14 anos e muita facilidade com idiomas, o que lhe permitia apresentar repertório internacional.
Elis continuou a cantar nas rádios locais até seus 15 anos. Foi quando Wilson Rodrigues Poso, da Rádio Gaúcha, ouviu a garota e a levou à Gravadora Continental, no Rio de Janeiro, em 1961, onde gravou seu primeiro LP Viva a Brotolândia.


Uma vida, muitas oportunidades

Tenho o prazer de me danar e me recompor sozinha. Não preciso de muletas”.


Zéio, seu único irmão, não apoiava sua carreira de cantora. Era obrigado a deixar o treino de futebol para levar Elis aos auditórios da rádio. Certo dia, já cansado dessa obrigação, enfezou-se e disse: “Eu não jogo, você não canta!” e deu um soco na boca de sua irmã.
            Não só o irmão, mas também sua escola e, principalmente, sua professora de francês, General Flores da Cunha, não aprovavam seu desempenho artístico. Após reprovar injustamente a aluna de 17 anos, Elis ainda lembrava: “Disse que eu não tinha dignidade para envergar o uniforme da escola. E se eu era assim tão ordinária, minha mãe também não devia ser grande coisa. Aí eu não aguentei e capuff, dei um tapa na megera. Da minha mãe você não fala desse jeito”.

Aos 18 anos, indo a São Paulo, daria início, de fato, a uma das carreiras mais brilhantes da MPB. A cantora encontrou um ambiente musical bem diferente, havia muitos shows no Paramount (atual Teatro Abril), no qual um dia surgiu um concurso, o 1º Festival de Musica Brasileira, onde conseguiu uma formidável vitória com a música Arrastão de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, que levaria o primeiro lugar, e ela, o título de melhor intérprete
            Como comemoração, foram programadas três noites de espetáculos, nas quais haveria participação dos mais destacados concorrentes. “Então eu cantei uma sequência de músicas com Jair Rodrigues, acompanhamento de Jongo Trio. Os produtores que gravaram todas as apresentações mandaram a fita para a Photogram, sem que eu e Jair soubéssemos de nada”.
Em 1965, Elis foi chamada para apresentar o programa O Fino da Bossa, o primeiro programa musical da televisão que originou três discos de grande sucesso, entre eles, o famoso Dois na Bossa, o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias.Esse programa foi muito importante para a carreia de Elis, pois ficou muito conhecido por todo Brasil. Ficou no ar até 1967, quando a cantora se mudou para o Rio de Janeiro por causa de seu casamento com Ronaldo Bôscoli, ocorrido em dezembro de 1967.
Com a agenda lotada de espetáculos, entre o Rio e São Paulo, Elis assinou com a TV Rio um contrato para participar do programa Noites de Gala. Cantou no Beco das Garrafas, uma casa noturna muito conhecida na época, com a direção de Luis Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, acompanhada pelo grupo Copa Trio. Foi também no Beco das Garrafas que Elis conheceu o coreógrafo americano Lennie Dale, que lhe ensinou a dançar em quanto cantava.
Em 1968, Elis foi para a França representar o Brasil num grande festival, com sua música Upa Neguinho.
Em 1969, a cantora ficou grávida de seu primeiro filho. Aos sete meses de gravidez, estreou no Canecão do Rio de Janeiro, com um show chamado Elis & Miele, no Teatro da Praia, show dirigido por dirigido por Miéle e Bôscoli.
A seguir, Elis venceu a I Bienal do Samba, com a música Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. No ano seguinte nasceu seu filho, João Marcelo, em junho de 1970.
Elis voltou à França para gravar um compacto, em que cantava as músicas Noite dos Mascarados, de Chico Buarque e A noite do meu bem, de Dolores Duran, nas versões em francês de Pierre Barouh.
Em 1969, Elis passou a se apresentar em shows de teatro, assim se afastando da televisão.

Pimentinha

“Meu problema são 10 centímetros a mais, se não, estaria tudo resolvido”.

A personalidade forte da cantora influenciava muito seu modo de cantar. Ela expressava seus sentimentos mais intensos através da música, de acordo com o que estava acontecendo em sua vida pessoal. Quando estava mal, cantava como um demônio enfurecido, já, se estava feliz, cantava alegremente, com generosidade, expressando sua felicidade em cada palavra, e também conseguia colocar, sutilmente, suas opiniões sobre o que ocorria politicamente no Brasil.

Por ter uma personalidade forte, Elis foi apelidada de Pimentinha por Vinícius de Moraes.
Era muito fácil gostar de Elis, pois era muito talentosa, mas, quem tinha contato pessoal com a cantora, sabia que ela não era tão doce quanto parecia e era um tanto temperamental. Suas mudanças de humor eram conhecidas por todos, porém, mesmo assim, ela conseguia respeito entre todos os seus pares musicais.
Os mais importantes compositores brasileiros - como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Edu Lobo e Vinícius de Moraes -  procuravam-na, pois sabiam que a cantora dava vida a suas canções.
Seu jeito de interpretar ofendeu alguns puristas, pois não aceitavam que Elis extravasasse os “padrões” na interpretação de algumas músicas brasileiras. Mas, normalmente, agradava a todos os seus fãs e era isso que realmente importava.

Elis na bossa, Elis com opinião

“Cantar, para mim, é sacerdócio. O resto é o resto”.
           
Na década de 60, a Bossa Nova tradicional se transformava e virava MPB.
            Em 1960, os festivais de música começaram a fazer sucesso, vindo a se destacar e sendo transmitidos pela TV Record. Revelou grandes artistas, até então desconhecidos pelo povo, e ao mesmo tempo deu ênfase aos importantes e nomeados cantores a compositores desta época.
            Os anos entre 1966 e 1968 foram considerados “A era de ouro dos festivais”. Os principais foram o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record e o Festival Internacional da Canção, o FIC. Esses festivais sacudiam o Brasil anualmente e levavam multidões aos auditórios e ginásios, criando uma verdadeira febre.
            Nesse período, MPB revelou grandes compositores e intérpretes através de tais festivais de música, apresentando cada vez mais novos artistas.
            Essas músicas eram uma resposta à política repressora de um governo ditador, usando palavras metafóricas presentes nas letras. Com a opressão de um governo ditador,o povo  não podia se expressar livremente. A música foi um meio de comunicação muito utilizado para retratar essa opressão,  expor a todos suas opiniões sobre tudo o que acontecia.  Um instrumento de luta pela liberdade de opinião.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

James Brown - o sucesso negro, em meio ao preconceito

Por Rodrigo Bodra,Vinícius Verzoni, Julio Manzoli


Clique aqui para ouvir a interpretação de "I Feel Good"


The hardest working man in showbusiness

“So now ladies and gentlemen it is star time, are you ready for star time? Thank you and thank you very kindly. It is indeed a great pleasure to present to you at this particular time, national and international[ly] known as the hardest working man in show business, the man that sings "I'll Go Crazy" … "Try Me" … "You've Got the Power" … "Think" … "If You Want Me" … "I Don't Mind" … "Bewildered" …the million dollar seller, "Lost Someone" … the very latest release, "Night Train" … let's everybody "Shout and Shimmy" … Mr. Dynamite, the amazing Mr. Please Please himself, the star of the show, James Brown and The Famous Flames!!”

Antes dos shows, seu mestre de cerimônia lhe dava essa boa introdução, onde citava as alcunhas de Brown e suas principais canções.
            Seu repertório incluía suas principais canções, recentes e algumas covers. Seus shows eram famosos pela intensidade e duração. O grande objetivo era “dar as pessoas mais do que elas vieram buscar”, “fazê-las cansar, porque é para isso que elas vieram”.
Brown dançava intensamente enquanto cantava. O passo mais famoso “Mashed Potato”. Os músicos e cantores do The Famous Flames apresentavam danças coreografadas e, nas últimas apresentações, a turnê incluía dançarinos.
Além das danças, o visual de Brown era bem diferente, com roupas extravagantes e cabelos perfeitamente cortados.
Uma das grandes marcas de Brown era que, durante a canção “Please, Please, Please”, Brown ajoelhava-se, enquanto o MC jogava uma capa sobre seus ombros e o escoltava para fora do palco. A banda continuava tocando. Depois ele tirava a capa e entrava novamente no palco para o encerramento.
“Brown exigia extrema disciplina e perfeição entre os músicos e dançarinos. Eles tinham que usar um uniforme para ensaiar e outro para os shows. Tinham que ser pontuais, tinha que ter seu uniforme, suas coisas tinham que estar intactas. Tinha que ter sua gravata borboleta, não podia aparecer sem ela. Os sapatos deveriam estar engraxados. Você tinha que ter suas coisas. Isso que Brown esperava”, disse Maceo Parker. Havia outras regras em relação à banda, se elas fossem quebradas poderia pagar até multa.
Outra marca de Brown era fazer um passo que ficava de costas para a platéia e apontava para algum músico que tinha errado durante a música, enquanto o público pensava que o passo fazia parte do show. Mas afinal, quem foi James Brown? Como tudo começou?

Algumas pedras nos abrem feridas. Outras abrem saídas.
Há uma dúvida em relação a sua data de nascimento, pois alguns afirmam que ele nasceu em 1928, na cidade de Barnwell, Carolina do Sul e seu pai só o tenha registrado em 1933. Seu pai, Joseph James Gardner ,e sua mãe ,Susie Behlings,  separaram-se quando ele tinha dois anos.
Sua família vivia na extrema pobreza. Brown,segregado por sua cor e tendo que adquirir independência muito cedo, aos 6 anos mudou-se para Augusta, (Georgia), para  morar com sua tia, em uma casa de prostituição. Desde criança aprendeu a tocar guitarra, gaita, bateria, baixo e teclado.
Como se vê, a música, desde cedo, apareceu em sua vida, através de cantos gospel das igrejas, do rádio e de um pequeno órgão oferecido por seu pai.
Brown ganhava dinheiro engraxando sapatos, vendendo e trocando selos, lavando carros e louças, cantando em shows de talentos e também trabalhou em campos de algodão, além de recolher restos de carvão que caíam dos trens. Recolhia também restos de comida em cestos de lixo. James estudou em uma das poucas escolas de negros de sua época.
Aos 16 anos, foi preso pela primeira vez por assalto à mão armada e enviado para um centro de detenção juvenil em Toccoa, em 1949. Enquanto estava na escola reformatória, conheceu Bobby Byrd, que viu Brown apresentar-se na prisão. A família de Byrd ajudou em sua soltura antecipada, pagando fiança após cumprir três anos de sua pena. As autoridades concordaram em soltá-lo com a condição de que ele conseguisse um emprego e não retornasse a Augusta ou Richmond Country.
Após tentar o boxe como profissão e também ser arremessador em um time semi-profissional de beisebol (uma carreira interrompida por uma lesão na perna), James focou toda sua energia na música.
Em 1953, Brown participou do grupo Starlighters. Sua entrada influenciou na mudança de nome, de Starlighters para The Famous Flames e no estilo musical, do gospel para o blues. No mesmo ano, Brown  casou-se pela 1ª vez com Velma Warren, no dia 19 de Junho de 1953.
Em 1956, Brown fez um contrato com a Federal Records. Seu primeiro single foi  Please Please Please, um grande sucesso na Geórgia e estados vizinhos, vendendo um milhão de cópias.
Após o sucesso de Live at the Apollo, Brown lançou uma sequência de singles que, junto com o trabalho de Allen Toussaint, em Nova Orleans, definiram a música funk.
Com o fracasso da King Records e com a finalidade de melhorar suas vendas diante o consumidor negro, James e Byrd fundaram uma companhia de produção, Fair Deal, para promover seus discos diante o público “branco”.
Em 1966, o single Papa’s Got Brand New Bag ganhou o Grammy na categoria Melhor Gravação de Rhythm & Blues. Brown continuou ganhando fama em aparições em filmes e o Famous Flames, subindo no palco com os The Rolling Stones.
Em novembro de 1967, Brown comprou a estação de rádio WGYW, em Knoxville, por $75.000, de acordo com a revista Record World. As letras que identificavam a rádio foram mudadas para WJBE, refletindo suas iniciais. O slogan da estação era “WBJE 1430 Raw Soul”.
Durante o final dos anos 60 e o começo dos anos 70, James Brown foi reconhecido por seu trabalho social. Em 1966, ele lançou o single "Don't Be a Drop-Out" como uma lição para estudantes jovens que tinham a intenção de desistir dos estudos. Mais tarde fez discursos para dezenas de crianças lembrando a importância da educação na escola.
Em 1967, lançou um single patriótico, America is My Home, que era um rap sobre como ele via as pessoas, particularmente a comunidade afro-americana, que estava negligenciando o país que poderia dar-lhes oportunidades.Explicou como em um momento ele
O Presidente Johnson, então, solicitou a Brown visitar Washington, D.C. e a cumprimentar moradores do centro da cidade, apresentando-se em um concerto beneficente e expressando a ideia de que a violência "não era o caminho a seguir".
Muitos da comunidade negra sentiam que Brown se comunicava com eles mais do que qualquer outro líder do país, um sentimento que foi fortalecido com o lançamento do single, Say It Loud - I'm Black and I'm Proud.
Brown continuou a se apresentar em vários concertos beneficentes pelos direitos civis, incluindo a organização PUSH de Jesse Jackson e o Partido dos Panteras Negras. Brown também continuou a lançar singles com profundo conteúdo social: I Don't Want Nobody To Give Me Nothing (Open Up the Door, I'll Get It Myself) (1969), Get Up, Get Into It, Get Involved (1971), Talking Loud and Saying Nothing (1972), King Heroin (1974), Funky President (People It's Bad) (1974) e Reality (1975).
Em 1970, a maioria dos membros da banda de Brown deixou a banda por causa do ego do artista, que crescia com a fama, e foram em busca de outras oportunidades. Assim, a banda The Famous Flames teve fim e apenas Byrd continuou com Brown. No mesmo ano casou-se com sua segunda esposa Deidre "Deedee" Jenkins, no dia 22 de outubro.
James e Byrd contrataram uma nova banda com futuros astros do funk. A banda foi chamada de “The JB’s”. Embora tenha passado por várias mudanças, foi a banda mais conhecida de Brown.

Steven Spielberg, a estrela por trás das câmeras

Por João Pedro Nascimento, Helena Nobre, Maria Cecília Jorge, Piero Carboni e Giovanna Dontal

Clique aqui e assista ao trailer do filme E.T. - O Extra-Terrestre (1982)

Em 1994, no Teatro Kodak, na famosa Los Angeles; acontecia sem dúvida, a mais famosa cerimônia anual do mundo do cinema, o Oscar. Ela ocorre no início do ano e coroa os artistas que mais se destacaram no ano anterior em categorias como melhor ator, atriz, diretor, fotografia, trilha sonora, roteiro e, é claro, melhor filme.

 Neste ano, a noite foi especialmente importante para Steven Spielberg. Logo após a imponente voz do apresentador declarar: “E o Oscar vai para...”, a tensão e a curiosidade se instalaram pelo salão e por todo o mundo, todos os holofotes focaram em Steven. Já era quase certo, que ele seria consagrado como o melhor diretor do ano, graças a seu filme, A lista de Schindler.

 O famoso diretor nunca escondeu sua origem judia, o que fez com que lhe fosse cobrado um filme sobre as atrocidades sofridas pelos judeus na 2ª guerra mundial. Seguido por vários outros, este foi e é até hoje considerado um dos filmes mais fiéis sobre o nazismo.
             Além disso, o longa-metragem rendeu o troféu de Melhor Filme, concorrendo com os grandes sucessos daquele ano: Em Nome do pai, O Fugitivo, O Piano e Vestígios do dia.
 A Lista de Schindler ultrapassou o esperado e fez por merecer. Na época Steven acabara de fazer 48 anos e, com isso, finalmente se tornara o diretor que é hoje.
 A glória de Steven Spielberg não começou de uma hora para outra. Desde pequeno o cinema estava em sua vida, cresceu vendo todo o tipo de filmes e programação de TV.

            Nascido em 18 de dezembro de 1946, na cidade de Cincinnati, em Ohio, nos Estados Unidos, Steven Allan Spielberg foi a alegria da tradicional família judaica, primeiro filho de Arnold Spielberg, brilhante engenheiro eletrônico, que esteve envolvido no desenvolvimento inicial dos computadores, nascido no dia 6 de fevereiro de 1917 e de sua esposa Leah Adler, pianista de concertos. Ainda juntos, tiveram mais três filhas.

            A segunda filha do casal foi Anne Spielberg, nascida em 25 de dezembro de 1949, posteriormente vieram Sue, em 1953, e Nancy em 1956.
Com oito anos, começava a brincar com uma câmera super oito que ganhou de seu pai. Gostava de montar cenários com desastres de trens, usando seus próprios brinquedos e, quase sempre, suas irmãs eram usadas como cobaias em seus filmes caseiros.

           Logo após completar 13 anos, o futuro diretor já produzia seu primeiro curta-metragem, chamado Fuga do Inferno, com duração de 40 minutos, com isso venceu seu primeiro concurso.Três anos depois, ainda na escola, ele começou a produzir filmes, ficou tão envolvido com isso que não dava atenção à escola e fugia das aulas para produzir e editá-los. Nessa época fez seu primeiro filme em Super 8, Firelight, exibido em uma sala de teatro local alugada por seu pai. No mesmo ano, fez sua estréia profissional com o curta-metragem Amblin, de 24 minutos, que foi exibido no Festival de Filmes de Atlanta.

           Sua vida ia consideravelmente bem até que ela mudou repentinamente de rumo com a separação de seus pais. Arnold e Leah se divorciaram quando Steven tinha 17 anos, o que abalou tanto a vida pessoal quanto a futura carreira do diretor.
           Ele não havia perdido sua fama de mau aluno, e falhou na tentativa de entrar no curso de cinema da University Souther Califórnia. Dois anos depois, entrou na Universidade Estadual da Califórnia, onde faria mais cinco curtas.
           Nesta faculdade ele viria a conhecer George Lucas. Os dois se encontraram pela primeira vez em um festival de cinema na UCLA, no ano de 1967. Steven e Lucas viriam a se tornar melhores amigos, isso devido à grande admiração de um pelo outro.  Spielberg chegou a falar sobre o amigo: “Eu o admirava, mas, ao mesmo tempo, sentia ciúmes de seu estilo e de sua proximidade com o público”. Mal sabia ele que George se sentia do mesmo jeito.

           Nesse mesmo festival, um assistiu ao trabalho do outro, o que lhes deu vontade de se conhecerem melhor. Com o tempo, os dois se tornaram muito próximos e aprenderam a conviver. Steven, então, decidiu interromper seus estudos para focar-se em seus trabalhos futuros.
            Perto de completar 21 anos, ele assinou seu primeiro contrato profissional com a Universal e, assim, entrou de vez no mundo do cinema. O primeiro de muitos dos seus sucessos foi Encurralado, um filme que emplacou devido à direção única de Steven, usando apenas um personagem que se desesperava ao ser perseguido por um caminhão.

           Após namorar belíssimas atrizes, como Margot Kidder e Sarah Miles, Steven  se apaixonou por Amy Irving, com quem, no ano de 1979, casou-se. 
    Daí em diante Spielberg passa a ser disputado pelos estúdios. Homem de marketing, sempre soube tirar proveito das oportunidades que a vida lhe ofereceu. Seu filme seguinte, já realizado para os cinemas, foi Tubarão", de 1975. Uma obra poderosa, repleta de momentos da mais pura tensão. Uma verdadeira aula de cinema. Ministrada por um novato, mas que na prática atuava como um mestre. Começa a era Spielberg. Nessa mesma época, um grande amigo e outro fissurado por cinema, George Lucas, lança "Star Wars - Guerra nas Estrelas", de 1977.        


Em junho de 1980, começaram as filmagens de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. O filme chegou aos cinemas no mesmo mês do ano seguinte, nomeado para nove prêmios do Oscar, ganhando cinco deles. Sucesso de crítica e de público deu origem a três filmes adicionais, uma série de televisão e 15 jogos de vídeo-game.

Três anos depois, surgiu mais um fenômeno de ficção, E.T - O Extraterrestre, que reconquistou para Spielberg o posto de maior bilheteria do século, que havia sido perdido para Star Wars, do amigo George Lucas. O diretor criou um filme de raro encantamento que conta a história de Elliot (interpretado pelo ator Henry Thomas), um menino solitário que se torna amigo de um extraterrestre, que está preso na Terra. O E.T. fora baseado no amigo imaginário que o diretor havia criado após o divórcio de seus pais, em 1963.

O filme foi realizado entre setembro e dezembro de 1981 na Califórnia, com um orçamento de 10,5 milhões de dólares. E recebeu indicações de melhor filme para o Oscar e o Globo de Ouro.Spielberg desde cedo ambicionava ter sua própria produtora, o que veio a realizar em 1984, quando fundou a Amblin Productions, sob a qual produziu vários filmes. O diretor, porém já havia feito filmes famosos por sua complexidade. Por ter adotado um estilo infantilizado em seus novos filmes, foi vítima de inúmeras críticas. Mas não deixou que isso abalasse sua vida profissional e pessoal.

Ainda no ano de 1984 começaram as filmagens de Indiana Jones e o Templo da Perdição. Nas gravações, Steven conheceu Kate Capshaw, mulher que fazia o papel da Willie Scott. Os dois tornaram-se extremamente próximos, o que gerou fofocas a respeito de um possível romance, mesmo assim, manteve seu casamento com Amy.
No ano seguinte, foi divulgada a gravidez de Amy e, em 13 de junho de 1985,nasceu Max Spielberg. Sendo o primeiro filho do diretor, Max tornou sua felicidade completa. Seus filmes eram indicados ao Oscar constantemente, seu casamento ia bem e seu filho nascera saudável. Muitos profissionais do mundo do cinema não conseguem lidar com a pressão na carreira e na família, porém Steven conseguia se manter em equilíbrio, tinha apenas deixado de lado sua religião, a qual tanto respeitava. Independentemente disso, passou quatro anos felizes com Amy e Max.

             Em 1989, sem muita divulgação, o casamento de Steven chegou ao fim, com um acordo de 100 milhões de dólares, metade do valor líquido que Spielberg recebia na época. O divórcio foi relativamente tranqüilo e Max foi morar com a mãe.

            Passados alguns meses, Spielberg voltou a se aproximar de Kate e, no ano de 1991, os dois se casaram. Como a atriz também era judia, o diretor voltou a se envolver com a religião. No casamento Steven adotou Jessica Capshaw, filha do primeiro marido da atriz e Theo, que fora adotado por Kate anteriormente. Juntos tiveram mais quatro filhos, Sasha, Sawer, Destry Allin e Mikaela George, sendo Mikaela adotiva.

Fernanda Montenegro, uma dama na dramaturgia




Arlete Pinheiro Esteves da Silva nasceu no dia 16 de outubro de 1929, no subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro de Cascadura. Era descendente de portugueses e italianos, filha de um operário e de uma dona de casa.
Arlete freqüentava colégios públicos e o sítio de seus avós, em Jacarepaguá. Quando tinha doze anos, concluiu o primário e a fim de dedicar-se ao trabalho, matriculou-se no Curso de Secretaria Berlitz, onde teve início o seu contato com diversas línguas como  inglês, espanhol, francês, além de noções de estenografia e datilografia.
Ela também fez o curso de Madureza, espécie de supletivo e, à noite, concluiu o ginásio em dois anos. Aos quinze anos, inscreveu-se num curso de locutora na rádio MEC. A rádio localizava-se ao lado da Faculdade de Direito UFRJ, onde havia um grupo de teatro amador pelo qual Arlete ficou interessada e o qual começou a freqüentar. Fernanda integraria o grupo de teatro ao participar da peça Nuestra Natascha.Nascia, então, seu desejo de se aventurar nessa profissão o que, a princípio, não foi fácil.
Seu primeiro papel como atriz de rádio foi como Manuela, na novela Sinhá Moça Chorou. Após esse grande acontecimento em sua vida, Arlete iniciou sua carreira como locutora da Rádio Tupi. Na verdade, o nome Fernanda Montenegro estreou na rádio quando fazia traduções e adaptações de peças. Ela realizou esse trabalho com menos de vinte anos.
Mesmo como atriz, passou a lecionar português para estrangeiros para complementar sua renda. Fernanda casou-se com o ator Fernando Torres em 1952.
Foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi em 1951. Entre os anos de 1951 e 1953, atuou em cerca de 80 teleteatros na emissora, dirigidos por Jack Campos, Chianca de Garcia e Olavo Barros.
Ganhou o prêmio da Associação Brasileira dos Críticos Teatrais (atriz revelação)  em 1952. Ainda na década de 50 trabalhou na Companhia Maria Della Costa e no Teatro Brasileiro de Comédia.
Atuou na Rede Tupi AM em mais de 160 peças apresentadas entre 1956 a 1965.
Em 1959, formou sua própria campainha teatral, a Companhia dos Sete, cujos integrantes eram: Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petrocelli, Alfredo Souto de Almeida e Fernando Torres,seu marido.
Fernanda recebeu muitos prêmios durante a sua carreira de atriz como, por exemplo, em: A moratória (1955)  de Jorge Andrade; Nossa vida com papai (1956), O mambembe (1959) com direção de Gianni Ratto, Mary Mary (1963), dirigido por Adolfo Celi.
No ano de 1963, contratada pela TV Rio, atuou em novelas como: Pouco amor não é amor e A morta sem espelho,  feitas por Nelson Rodrigues.
Em 1965, já na  Rede Globo, Fernanda participou de um programa ( 4 no teatro)em que apresentou uma série de teleteatros com direção de Sergio Britto.
 No ano de 1966, na Rede Tupi, foi a personagem Amália na novela Calunia, de Talma de Oliveira. Após um ano, começou a trabalhar em uma nova rede de TV Excelsior atuando na novela de Raimundo Lopes, pois tiveram grande sucesso atingindo  596 capítulos.
Ainda na TV Excelsior (em 1968) atuou na novela A muralha que teve uma superprodução em sua época. Também atuou em Sangue do meu sangue, escrita por Vicente Sesso, dirigida por Sérgio Britto.
Fernanda deixou a TV Excelsior, em 1970 e ficou cerca de nove anos afastada da televisão.
Ao voltar para a TV Globo, ela estreou em novelas (1981), em Baila Comigo, de Manuel Carlos. Sua personagem, Silva Toledo Fernandes, foi escrita especialmente para a atriz,  dirigida por Roberto Talma e Paulo Ubiratan. No mesmo ano, foi conhecida como a milionária Chica Newman de Brilhante, novela de Gilberto Braga.
No ano de 1983, Fernanda protagonizou cenas muito engraçadas ao lado de Paulo Austran, como os primos de Charlô e Otavio em Guerra dos Sexos,  novela escrita por Silvio Abreu, Jorge Fernandes e Guel Arraes. Nela houve diversos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, entre eles o de melhor atriz para Fernanda Montenegro.
Em 1985 foi convidada pelo então presidente José Sarney para ocupar o cargo de ministério da cultura, mas ela recusou. O seu mundo era a arte e não a política.
Em 1986 a atriz participou de Cambalacho, outra comédia de Silvia Abreu, dirigida por Jorge Fernandes.
Depois de quatro anos Fernanda fez a participação especial no papel de Salomé, em Rainha de Sucata, novela de Silvia Abreu.
Ainda em 1990 atuou como avó Manuela na minissérie Riacho doce. Após um ano na novela o Dono do mundo de Gilberto Braga, Fernanda interpretou  Olga Portela, persongaem  que ganhou muita simpatia do público. Dois anos depois, fez a primeira fase de a novela Renascer ,de Benedito Ruy Barbosa.
Em 1994, como Quitéria Campolargo, a atriz integrou o elenco estrelar de Incidente em Antares, que reuniu nomes como Marilha Pêra, Regina Duarte, Gianffancesco Guarnieri, Nicette Bruno, Flávio Migliaccio, Betty Faria e Diogo Viela.
 Em 1999, por sua atuação no filme central do Brasil, de Walter Salles, foi a primeira artista Brasileira a ser indicada ao Oscar de melhor artista. O filme fez tanto sucesso que recebeu um Urso de Prata do festival de Berlim. Ainda em 1999, Fernanda participou em uma minissérie ( O Auto da Compadecida) que foi transformada em um filme no ano seguinte.
em 2002 foi atriz da primeira fase da novela  Esperança, de Benedito Ruy Barbosa.
 Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival Tribeca, em Nova Iorque. Em 2005, foi premiada pela minissérie Hoje é dia de Maria. Logo após um ano (2006) brilhou na novela Belíssima como vilã, quando atuou ao lado de Cauã Reymond.

Entre os filmes em que atuou no cinema estão A Falecida (1964) e Eles Não Usam Black-Tie (1980), ambos de Leon Hirszman. E, mais recentemente, Olga, de Jayme Monjardim, onde interpretou Leocádia Prestes, mãe do líder comunista Luís Carlos Prestes; Redentor (2004), dirigido por seu filho, Cláudio Torres; Casa de Areia (2005), filme dirigido pelo genro Andrucha Waddington, marido de sua filha, a atriz Fernanda Torres; e Love in the Time of Cholera (br: O Amor nos Tempos do Cólera), de Mike Newell, lançado em 2007, onde fez a personagem Tránsito Ariza, mãe do personagem do ator espanhol Javier Bardem. Atualmente, vive a protagonista Bete em Passione, de Sílvio de Abreu.
Teatro
Em mais de cinquenta anos de carreira, participou de dezenas de espetáculos teatrais, interpretando de tudo: da clássica tragédia grega à comédia de boulevard, do musical brasileiro a espetáculos de vanguarda. Sempre ao lado de grandes nomes, do elenco à direção. A seguir, alguns de seus grandes sucessos: